Foto da estação antiga, fotografada há muitos anos, ao qual Sam se aproveitou.
Neste final de semana estive em minha terra natal, um lugar longínquo no interior do Rio Grande do Sul, ao qual eu e meus conterrâneos chamamos carinhosamente de Neverland.
Um lugar que no passado foi povoado por diversos povos europeus, e onde as horas demoram muito a passar. Bem, estava por estes recantos pois fora convidado par o casamento de meu primo [um, dos muitos que possuo, são incontáveis, a televisão demorou a chegar lá], que aliás é da mesma idade que eu.
A moda lá continua a mesma, quando uma geração decide casar, é um corre-corre para ver quem na família faz o melhor casamento, o mais bonito e farto. Nesta onda, onde a inveja é a rainha de todos, jovens se lançam num desespero a encontrar o seu par, sem ao menos desfrutar dos prazeres da vida de solteiro.
Não é à toa que o número de bordéis para casados e de divórcios cresce exponencialmente.
Pois bem, como sempre fui a ovelha negra da família [resolvi estudar e levar uma vida desregrada, ao invés de estar perto da família] sempre estou a contrariar a todos, e a ser um mau exemplo a meus parentes.
Mesmo assim sempre estou sendo convidado para estas festas onde todos preferem não me ver, e procuro ir para contrariar minha tias e contar minhas aventuras aos meus tios aos quais sempre me incentivam a continuar.
Analisando a situação, aquela rica fauna de pessoas gordas apertadas em trajes de festa, continuo a me sentir como sempre me senti em minha infância e adolescência: um estranho no ninho. E indo um pouco além em meus devaneios, pude notar também que realmente não pertenço aquele meio, e jamais pertencerei. Se me restava alguma dúvida em relação a volta as origens e o retorno a vida mansa, isto acaba de se evaporar.
Nada ninguém me fez, tampouco se arriscariam a soltar alguma peruada, mas vendo a minha geração de parentes, repetirem a mesma história de nossos pais, repetirem o mesmo erro de faz de conta infinitamente, achando que dinheiro e bens maquiam a infelicidade, fico feliz de ser como sou. De ser aproveitador da vida! De ser aquele primo, que resolveu explorar o mundo, e nunca mais teve-se notícias...
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