Hoje vi algo que fazia tempo que não via... vi um olhar de alguém especial, que algum tempo atrás me via todo dia. Hoje fiquei feliz por ver aquele primeiro segundo de olhar, mas fiquei muito mal após o segundo segundo de olhar.
O olhar que pedia: hoje, por favor, qualquer coisa menos os estes olhos. No terceiro segundo do olhar fechei meus olhos e segui, sentindo toda a vergonha que um dia já senti. Vergonha pelos atos, que fiz de sã consciência e no fechar dos acontecimentos, saltei, pulei, mudei.
A boca que acompanha este olhar que me olhou e quis não olhar mais, certa vez me disse: que ser adulto é arcar com as consequências de nossos atos. Como é duro ser adulto. Como é duro ver as consequências de seus atos, mais duro ainda é conviver elas.
Eu acredito na teoria do caos, acredito mesmo, acredito fielmente. E por este acreditar é que me vem a vergonha de ter balançado uma vida que já estava balançada. Embora tenham sido grandes momentos em minha vida, as vezes penso que uma borracha evitaria o olhar que eu vi hoje.
A vida nos prega peças, e nos mostra da maneira mais cruel o quanto ruim somos, o quanto não bons somos. A vida enfia o dedo lá na alma e traz toda a sujeira que muitas vezes deixamos escondida debaixo do tapete. Ela nos mostra que podemos ser tão desprezíveis quando agimos da forma mais naturalmente humana: sendo egoístas.
sou egoísta, mau, e sirvo apenas para trazer o caos aos que me rodeiam, e por mais que eu tente não fazer isso, sempre haverão olhares que me olham quando eu olho, refletindo o que realmente sou
Um comentário:
um dia eu saí pela porta do prédio pensando em como estava cansada, acabada, destruída pela tese, que me consumia tudo nos meses anteriores. saí pra esperar por uma fiel e heróica amiga, que vinha me salvar. saí e pensei: será que se tivesse sido diferente, ele iria aguentar me ver assim, sem forças nem pra dar um sorriso? e no segundo seguinte ao meu pensamento, o olhar surgiu andando na minha frente.
então o primeiro segundo do olhar foi de espanto, de absoluto e aterrorizante espanto, como se tivesse se dado na minha frente a materialização de um fantasma. o segundo segundo do olhar foi de dor. uma dor de perda, uma dor de impotência, de solidão. o terceiro segundo do olhar foi de dor ainda mais aguda. por não ter força pra correr alguns metros e tentar reverter alguma coisa. e em seguida fechei meus olhos. tentando, de alguma forma, reter tudo o que eu sentia de mais bonito e que voltava, tudo de novo. um dia ainda vou conseguir entender se o desencontro foi porque ainda não era hora, se nunca deveria ter sido a hora, se foi apenas pra ensinar sobre o desencontro. mas o que eu sei é que se tinha algum reflexo naquele olhar que te olhava, no primeiro, no segundo, no terceiro segundo, era o reflexo não do que o olhar enxergava, mas do que o olhar tinha por dentro. e o que ele tinha por dentro não era ruim, não era não bom, não era mau. era apenas o ausente. e por isso doía tanto.
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