terça-feira, 9 de março de 2010

Ligação

...
- Alô?
- Oi.
- Oi?
-Sou eu!
-...hã...?
- Fulana, quero saber se voce vai na festa hoje?
- Festa? [ainda estava tentando saber quem era, não lembrava de nenhuma Fulana]
- Sim do Ciclano, é la na casa do Beltrano, as sete, a bebida já está gelando.
- Ou sim [ainda não sabia de quem se tratava, tampouco quem era Ciclano ou Beltrano]
- Tá acho que voce não tem o endereço eu vou te passar.
- Com certeza!
- [ela fala o endereço e explica como chegar lá e qual ônibus pegar, como se ela soubesse onde era a minha casa]
- Ok . [nesta altura eu não me daria ao trabalho de explicar que era um engano, e também por um lapso anotei o endereço]
- Tudo bem, estamos aqui, voce vai vir né, todo mundo quer te conhecer.
- Claro, também quero conhecê-los.
- Ótimo, beijão, até mais.

Desligou, que coisa maluca, eram cinco da tarde de sexta feira, este número desconhecido me liga e me convida para uma festa. Obviamente era um engano. Será mesmo? E se for uma conhecida minha que me ligou e eu não lembro dela? bem depois que comecei a estudar descobri que não tenho mais memória recente.

Sete da noite. Uma súbita loucura me bateu, acredito que tenha sido os dois copos de gin tônica. Resolvi pegar um taxi e ir até a festa.
Desci do taxi, estava barulhenta a casa em uma bairro de classe média, ainda bem que era uma casa, como poderia explicar a história para um porteiro?
Bem estava confiante [decididamente foi o gin] eu sabia o nome do aniversariante, e o nome de quem me ligou.

Bati o interfone. Era a mesma voz:
- Fulana?
- Sim? quem é?
- Eu.
- A sim claro entre, cuidado o cão, ele não morde, mas vc pode pisar em cima dele.

Coração a mil, cheguei até a porta após passar pelo cão no chão, realmente, ele não se movia. Uma linda moça abriu a porta.
- Oi [ meu sorriso era tão amarelo quanto um girassol].
- Quase não acreditei que voce veio.
- Eu também. [ela me conheçe, nem tudo está perdido, ela me parece estranhamente familiar]
- Vem vou te apresentar a todos. [puxou-me pela mão]

... fui apresentado a umas 30 pessoas as quais eu desconhecia totalmente até então, ela estava sublime e encantadora, e sabia meu nome. Demonstrava um certo apreço por mim, parecia até mesmo uma namorada. Fulano era seu irmão, o aniversáriante...

- Vem tenho uma coisa que voce vai gostar.

Me levou até a cozinha, puxou dois martelinhos, uma garrafa de tequila mexicana. Sim, tequila, sim ela, sim eu fiquei com ela, claro Fulana do final de Semana de Fúria, naquele barzinho da Esquina da Perdição. Festa maravilhosa, mulher maravilhosa. Sim ela disse que seu irmão estaria de aniversário naquele mês e teria uma grande festa, me convidou para ir. Ahh, eu não liguei para ela [como de costume], na verdade esqueci completamente dela. Preciso de um médico [ou parar de beber]

- Fulana. Já te disse que está linda hoje?
- Opa, finalmente uma frase com algum nexo. É minha presença ou da tequila?
- Voce e a Tequila, uma combinação perfeita.
- Também acho...

Seguimos aquela noite, uma maravilhosa noite, tentei me lembrar durante alguns intervalos de pedaços da história ao qual eu não sabia o certo, mas nada consegui, em um momento, quando estava ao banheiro, peguei meu celular e disse:

- Obrigado Sam, pelo menos um de nós tem juizo

Um comentário:

Dani disse...

Precisamos de mais homens assim como você também... que gostem de gin tônica, rs.
Bjs e obrigada
Dani